quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A GRANDE DAMA


Um amigo me apresentou a idéia de que para ele a astrologia se parecia com uma senhora assim meio gorda, meio decadente, com verruga no nariz e um tanto esculhambada. Essa era sua visão pessoal para a Grande Dama.
Estávamos conversando sobre amar ou não a astrologia, dai surgiu essa idéia. Dá para amar essa tal senhora?
Creio que ele a viu de verdade, como ela é, como ela pode ser. Ou como a veríamos se a encontrássemos em um descaminho qualquer da vida.
Ela é assim mesmo, eu creio.
Meio aquelas xamãs que o Castañeda teve que se confrontar em seu aprendizado com D. Juan. Tinha até uma que convoca essa imagem, "La Gorda", uma feiticeira perigosa e poderosa que poderia matar quem não fosse um homem de conhecimento, um homem de poder.
Creio que a astrologia é assim mesmo, como La Gorda, uma feiticeira de muitos poderes, uma encantadora que domina os mistérios, que cozinha as forças da natureza em seu fogão de energia solar e lenha fumarenta.
Seios grandes e caídos sobre o peito, seios de quem amamentou muitas crias, pele morena e esticada, com algumas rugas que parecem caminhos para o infinito, e cabelos antigos, muito antigos.
Ela pode ser encontrada na madrugada em um buteco na Lapa, comendo torresmo e ovos coloridos, bebendo cerveja com prostitutas decadentes, migrantes sertanejos, estivadores e madames satã reencarnadas, viados, traficantes e algum burguês perdido, querendo parecer exótico.
Ela pode ser encontrada entre as senhoras que recolhem roupas para campanhas de inverno. Pode estar às vezes cantando hinos em uma rodinha de evangélicos na praça de alguma cidade. Pode ser aquela mulher sem rosto, suada, carregando uma imunda sacola de compras e indo em direção a lugar nenhum.
Ela pode parecer uma jovem tesuda de cabelos encaracolados, daqueles que parecem estar sempre molhados, daquelas que parecem sempre estar saindo do banho, fresca e viçosa, e que provoca o olhar ávido dos homens, o olhar blazê que disfarça a inveja de algumas mulheres. Pode parecer uma executiva elegante a caminho de uma reunião de deuses do dinheiro em lugar nenhum. Pode parecer até mesmo uma criança pedindo para ser embalada, como já disse outro enamorado dessa dama. Pode parecer o que quiser, porque a grande Dama é a expressão do encanto, e será aquilo que conseguirmos enxergar, aquilo que precisarmos enxergar, aquilo que merecermos enxergar.
Ela não é necessariamente bonita, mas é fascinante, emana um poder, um tipo de luz. Provoca o a sensação de que ela tem o poder de nos abrigar, nos acolher, mas pode também nos sufocar, enlouquecer, matar mesmo se assim lhe convier.
Mas quase nunca vemos seu rosto, ela parece estar sempre olhando para outro lado, e muito raramente mesmo, encontramos seu olhar, pois ai é que parece estar o centro de seu poder, o centro do universo, o vértice de toda energia, um turbilhão de forças caóticas de onde tudo que existe se origina.
Nossa tacanha expectativa ousa imaginar esse olhar, acredita poder imaginar os olhos e o olhar da velha dama.
Esperamos que seja baço, pela aparência daquele corpo gordo ou etéreo, esperamos que seja um olhar cinzento e opaco, nublado por incontáveis cervejas e baseados, tragados atrás de paredes encardidas. Pensamos que pode ser como o olhar dos insones, dos bêbados ou das crianças recém nascidas, ainda encobertas com a névoa que trazem da travessia que fizeram antes de chegar aqui.
E pode não ser nada disso. É o seu mistério.
Encarar esses olhos, mergulhar nesse olhar, pode ser uma surpresa definitiva.
Seu olhar é um abismo, tem o brilho de uma estrela, tem a cor do infinito, nos atira em um vortex magnético, nos atrai para um turbilhão de quantuns enlouquecidos, faz a gente entender o que é o buraco negro, supernova, galáxias e infinito.
Se encontrarmos esse olhar absurdo em um descuidado gesto de nossa busca, em um lapso do tempo e do movimento de nossas vidas, como quando percebemos sombras luminosas passando voláteis ao nosso lado, e ao virarmos a cabeça só encontramos a paisagem, nesse momento raro e infinito, certamente pasmos e provávelmente assustados, veremos que a velha dama, a gorda de peitos enormes e densos, tem os olhos da pessoa amada, aquela que se foi para a terra do nunca, ou que nunca chegou a acontecer além de nossos mais secretos sonhos.
Reconhecemos, quando temos a oportunidade de encontrá-la em algum recanto selvagem e belo da natureza, em algum muquifo sórdido habitado por almas perdidas, o fato de que a grande dama, a senhora Astrologia, parideira de ânimas, arquétipos, deuses, reconhecemos enfim que essa grande senhora é a fonte por onde brota a água mais sagrada, a água do amor e do conhecimento.
Ninguém pode simplesmente amá-la, pois se ela é a fonte dessa energia, do próprio amor, seria o paradoxo. Ela é a fonte ou talvez o canal, não sei bem.
Cada vez que olho um circulo, olho para Venus majestosa no céu, olho para a Lua clareando caminhos, aqueço meus ossos ao Sol da tarde, sinto a presença dessa dama, sinto seu cheiro, seu suor, sua energia envolvente.
Cada vez que ouço uma musica e percebo o ritmo que existe, cada vez que sinto e lembro a existência de meu coração batendo no peito, cada vez que percebo a dança das energias entre as pessoas, se amando, se odiando, reconheço a velha senhora caminhando com seus passos suaves entre todas as coisas, entre os seres, ocupando cada silêncio entre as notas da melodia, o suspiro dos amantes, as batidas do tambor.
Ela está aqui, está em todo lugar, porque ela é infinita como o infinito, porque ela é a portadora da Lei, das tabuas da grande Lei, e ai reside seu poder.
E como disse outro alguém, ela é tão antiga que não mais menstrua, não conhece regras, superou todas as regras, a não ser as do amor e da natureza, que tem ritmo e melodia que não se pode chamar exatamente de regras.
Creio que não podemos amá-la ou desejá-la simplesmente, porque é dela que emana a energia criadora que faz com que existam todas as coisas. Mas podemos ser seus amantes, e ela nos acolherá a todos, e a todos irá alimentar com seu leite, com sua verdade, com sua luz.
VaL

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

PESQUISA E ESTATÍSTICA

PESQUISAR O QUE MESMO?



Estou publicando abaixo um e-mail escrito pelo Professor Rodrigo Araês, astrólogo notável que aqui se apresenta mais como professor e cientista do que própriamente como Astrólogo.
O email foi publicado em uma lista regional da CNA, onde aconteciam debates a respeito a necessidade ou não de se fazer "pesquisas" em Astrologia.
Considerei as colocações do Rodrigo brilhantes, coerentes e dignas da consideração de todos que pretendem fazer ou acreditam na necessidade de pesquisas estatísticas dentro da prática astrológica.
Recomendo veementemente a leitura por todos. Tem a expontaneidade e naturalidade própria de um texto escrito em lista de debates, portanto, não é um estudo científico formal, se bem que tem conteúdo digno do maior respeito, além de ser imensamente esclarecedor.
Grato.



USO DA ESTATÍSTICA EM ASTROLOGIA

Por: RODRIGO ARAÊS




Em março deste ano resolvi, por interesse profissional (sou professor da disciplina “Probabilidade, Estatística e Processos Estocásticos”), assistir uma aula de Estatística do Prof. Dr. Júlio César Rodrigues Pereira no curso de Pós-graduação em Cardiologia do IDPC- Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia. Aula muito interessante, clara e objetiva. Dr. Júlio nos contou a seguinte história:
“- Fui procurado por um médico da Santa Casa que iria defender tese de Doutorado em Medicina. O motivo de sua procura foi que, por insistência do orientador, ele deveria dar um tratamento estatístico aos seus dados para torná-los mais científicos. Perguntei qual era a casuística, tempo de pesquisa e que a que conclusões ele já tinha chegado. Disse que pesquisava o assunto há mais de dez anos, tinha centenas de casos e com tratamentos bem sucedidos, pois aliava a pesquisa à prática médica. Era conhecido, no Brasil, como um dos maiores especialistas no assunto. Perguntei a ele, em seguida: Doutor, e se a estatística mostrar que o senhor está errado? Sua resposta foi clara. Doutor Júlio (os médicos e advogados sempre se tratam de doutor), isso é impossível, e mesmo que fosse possível nada neste mundo irá mudar o que penso depois de tantos anos de pesquisa e resultados positivos na área. Respondi: Doutor, não perca seu tempo com estatística (e acho que nem o dele), neste caso ela não vai provar nada. Confie mais no seu trabalho e diga ao seu orientador que o que ele está querendo é uma perda de tempo.”
Toda a platéia riu. Dr. Júlio completou: não queiram tirar da estatística o que ela não pode dar. Quando o assunto está vinculado a seres humanos é necessário tomar muito cuidado. Muita coisa que vejo em trabalhos médico não tem sentido.
No meu primeiro dia de aula deste ano lancei uma moeda para cima e perguntei aos meus alunos qual era a probabilidade de dar cara ou coroa. Os que responderam falaram que era de 50%. Retruquei: Como é que vocês sabem? Temos quatro formas básicas de encarar as probabilidades, teoria que é base da estatística: 1. O método clássico (foi o fundamento da resposta deles, baseados em Pascal, Fermat, Laplace e outros). 2. O método frequencialista (von Mises). Jogo a moeda infinitas vezes e vejo a convergência. 3. Método intuitivo, método do “achismo”, utilizado com sucesso em sistemas especialistas. 4. Método Axiomático de Kolmogorov. Hoje considerado o ideal. È muito fácil, para um manipulador, escolher um método, um enfoque que leve a resposta para onde ele quiser.
O que tenho observado ao longo destes anos dando suporte a pesquisa na área médica é que é muito fácil manipular os dados, e sei por verificação própria e por leitura que os cientistas não são tão confiáveis, pois são tão humanos quanto nós. Já no início dos anos 70 houve um simpósio na Unesco sobre a responsabilidade social dos cientistas, colocando o dedo na ferida das pesquisas irresponsáveis. Durante décadas pesquisas estatísticas, muito bem elaboradas e fundamentadas comprovaram que o cigarro não ocasionava danos aos seres humanos. Sabemos dos desastres do “desfolhante laranja” no Vietnã, pesquisa patrocinada pelo exército americano, e dos múltiplos desastres provocados pela indústria farmacêutica. No ano passado fui indagado por uma jornalista da revista “Bons Fluidos”, sobre os efeitos da irradiação dos celulares nos seres humanos. Entrei em diversos sites para saber das últimas pesquisas, invariavelmente diziam que os celulares não faziam mal algum. Ora, fui professor durante 30 anos de Eletromagnetismo, e tenho mestrado em Engenharia Biomédica, fica difícil engolir essa notícia sabendo que quem tem marca-passo não deve usar celular, e que mesmo em pessoas sãs ele altera o Eletrocardiograma.
Como membro de um Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde tive conhecimento de práticas em pesquisas, mundiais, de arrepiar os cabelos de carecas. Devido a isso acho muito difícil alguém aceitar uma pesquisa estatística Astrológica feita por pessoas da área. O astrofísico português João Magueijo relata em seu livro “Mais rápido que a velocidade da Luz” a dificuldade de publicar suas conclusões em revistas conceituadas, porque ele contrariava a teoria da relatividade de Einstein. Seu livro relata inclusive uma crítica mordaz de Einstein a um astrofísico russo que comprovou, a partir das próprias equações de Einstein, que o universo era expansivo, e não constante, como pressupunha Einstein. Depois ele se desculpou, tinha cometido um erro de álgebra. O meio científico é um meio igual a qualquer um. Político, burocrático, detrator, invejoso, estelionatário e maledicente. Existem maravilhosas exceções, como em qualquer meio, mas não é fácil mudar os paradigmas existentes.
Já escrevi para a Dra. Elenir o seguinte:
“Sou professor de ”Estatística" e temo pelo tamanho do trabalho e da amostra, daquilo que você pretende. Gauquellin utilizou 35.000 mapas em seu estudo, se não me falha a memória, e ele era estatístico prático de carteirinha. Não me interessa essa trabalheira. Depois de levantar e analisar por volta de 3.000 mapas, nesta vida, confesso que estou mais do que satisfeito com os resultados das minhas leituras. Por outro lado você quer provar que a astrologia é uma ciência exata e, como já escrevi antes, estou convencido que ela não é. Faltam-me conhecimentos e argumentos científicos para provar que a astrologia é uma ciência, no sentido moderno do termo. Mas como disse Confúcio: "Um sábio não tem idéias", ou seja, não se fixa a nenhuma idéia.
Mas vá em frente. Se você conseguir provar ganhará a minha profunda admiração. Aplaudirei de pé. Os modelos antigos, paradigmas como disse Kuhn, estão aí para serem derrubados. Às vezes é necessário que a velha geração, como eu, morra, para que sejam feitas mudanças. A Programação Linear foi descoberta por um aluno que não sabia que um determinado problema era considerado sem solução.
Desejo muito boa sorte. Você é uma mulher de muita coragem e determinação. Gostei da sua postura!”
Elenir, você escreve agora:
“Mas, acho que podemos evoluir ainda mais... agora, entrando numa área que sempre relegou os estudos superiores a um plano de subalternidade, quase de ridicularização.”
Não posso aceitar este tipo de postura. Existem astrólogos matemáticos, astrofísicos, engenheiros, filósofos, médicos, advogados, etc. Astrólogos que não fariam feio aos antigos astrólogos como Morin, Regiomantono, Kepler e Newton. E estou falando só do Brasil. Pessoas de mais alto grau de cultura e sabedoria, mas, como em todas as áreas, compartilhando a Astrologia com ignorantes e despreparados. Como diziam antigamente: “Quem burro nasce, togado ou não, burro morre!” Também não creio que, como já fizeram Choisnard e Gauquellin, uma pesquisa vá mudar a aceitação da Astrologia no meio “científico”, os donos da verdade. Se duvidar, leia Paul Feyerabend que em seu livro “Diálogo Sobre o Método” comenta sobre um abaixo assinado contra a Astrologia que possuía a assinatura de uma plêiade de prêmios Nobel, que evidentemente não conheciam nada sobre a Astrologia. Como Feyerabend escreve: Imagine que são iletrados desta espécie que decidem o que se deve e o que não se deve ensinar nas nossas escolas; iletrados de tal espécie proclamam com arrogante desprezo que as velhas tradições, nunca estudadas nem compreendidas, devem ser erradicadas, independentemente da importância que revestem para todos aqueles que querem viver segundo seus cânones. O mesmo Feyerabend diz: Temos que separar a Ciência do Estado, tal como foi feito com a religião. (Meu Deus! E os fundamentalistas? Irão aceitar a Astrologia?).
A Astrologia tem de história conhecida, no ocidente, de mais de cinco mil anos. Qual outra forma de conhecimento permaneceu por tanto tempo? Como me informou um ex-adido cultural francês doutorando em escrita cuneiforme, aqui em São Paulo, o que os sumérios escreviam como suposição astrológica os hititas informavam como certeza. Qual conhecimento tem 2500 de registro de dados e confirmação de eventos? Essa forma mesquinha de se analisar o conhecimento a partir de medidas - só se conhece o que pode ser medido - é recente e duvido que perdure por mais cinqüenta anos. Os movimentos de estudos interdisciplinares e transdisciplinares, além da moderna visão da complexidade de Morin (Edgar Morin) dão sustentabilidade ao que digo.
Como disse antes para Dra. Elenir, e falo agora para todos, façam pesquisa, mas não contem com a aceitação pelo atual Establishment.
Parodiando Tom Cathcart e Daniel Klein, no preâmbulo do livro “Platão e um Ornitorrinco entram num bar...*”:
Estes são meus princípios, se não gostarem tenho outros.
Abraços a todos,
Rodrigo Araês




* e o barman olha para Platão com um olhar esquisito. O que posso fazer? Retruca Platão, dentro da caverna ela era muito mais engraçadinha.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ASTROLOGIA DO PRESENTE

“...Aceito o desafio e a ele me atiro, sem restrição, por saber que é tempo de ousar, de reinventar códigos, de lançar pontes para o desconhecido, transgredindo a estreiteza de uma certa mentalidade moderna, dogmática e estagnada no racionalismo tecnicista. Omitir é trair, nesse momento de mutação consciencial que nos exige uma palavra nova, um gesto inédito, enfim, uma contribuição singular. Por mais singela e insignificante que possa ser, que seja!”


Roberto Crema em "Saúde e Plenitude"


Essa é a razão talvez principal desse texto publicado na revista Constelar


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

ASTROLOGIA E LOUCURA

Esse texto é antigo. Estava esquecido no depósito de textos antigos. Foi escrito em função de uma discussão qualquer em uma velha e extinta lista de astrologia.
Observando algumas situações atuais, ainda mais em época de eleições, quando mais que nunca os astrólogos começam a olhar apenas para fora de si, ao ponto de alguns até esquecerem-se de onde na verdade vem, e de onde vem a astrologia que praticam, entendi ser oportuna uma releitura desse texto.
Serve para me manter alerta e prestando atenção em mim mesmo. Serve para reconhecer o quanto é possível e perigoso investir na auto-importância e onde essa mesma importância pessoal começa a se tornar uma doença.
Se para mais uma pessoa pelo menos ele for útil, já está valendo.



ASTROLOGIA E LOUCURA


Há aproximadamente 30 anos, meu professor de astrologia, Wanderley Vernili, disse uma coisa que me chateou: "aquele que usa o símbolo inadequadamente será punido por ele". No momento eu debochei dessa palavra, disse que isso era astrolatria e tolice. Levei muitos anos para compreender a profundidade e verdade contida nas palavras do meu mestre, e vou tentar compartilhar com vocês por achar isso muito sério.
O Símbolo (planetas, signos, casas, aspectos, no caso da astrologia) é algo que supostamente nos habita, é um conteúdo de nossa psique, ou mais ainda, é um potencial energético que existe em nosso ser e que é sintetizado e eventualmente traduzido pela mente sob a designação de símbolo, mas que existe e se manifesta independente de nossa compreensão intelectual "dele". Saturno ou Vênus, por exemplo, representam qualidades inerentes ao ser (medo, afeto, desejo, etc.), potenciais infinitos de energia que se manifestam ciclicamente ou quando estimulados por alguma circunstância externa ou interna. Creio que isso é uma visão sintética e simplificada do funcionamento planetário.
Quando um indivíduo "transgride" uma função simbólica, quando permite que, por vaidade ou medo ou outra problemática qualquer, a função Lunar, Saturnina, Mercuriana, ou outra, sejam corrompidas e distorcidas, pervertendo seu significado essencial, esse potencial que foi ativado eventualmente se voltará contra o próprio indivíduo, seja através de comportamentos sórdidos e inadequados, seja através da somatização e doença física, seja através dedistúrbios psicológicos que não conseguem se manter ocultos por muito tempo atrás das mascaras e dos personagens queantes os ocultavam.
O próprio indivíduo é o único canal da expressão do símbolo, e a partir do momento em que ele, o símbolo, for despertado, se a pessoa não estiver no lugar de expressa-lo, poderá tornar-se vítima dessa manifestação energética.
É um pouco difícil aceitar a possibilidade de que a Astrologia pode enlouquecer. Exatamente. Enlouquecer!
As linguagens simbólicas, "sempre" colocam o indivíduo em sintonia com os símbolos dentro de si mesmo, e quanto mais praticadas e estudadas essas linguagens, maior a conexão como símbolo, mais ele é ativado, despertado, e as energias e manifestações desse símbolo ativado passam a representar as motivações básicas, conscientes e inconscientes do comportamento da pessoa e de todas as suas relações, consigo mesmo e com a sociedade. A ativação do símbolo, particularmente entre Astrólogos, tende a conduzir a pessoapara uma conexão cada vez mais intensa com aquilo que os Junguianos denominam "self", os ocultistas denominam "espírito", a essência mais profunda e original do sujeito, enfim. Quando a pessoa está nesse caminho de conexão com os significados reais e naturais do símbolo, e resolve se comprometer com realidades que não sejam pertinentes à pureza e a qualidade do símbolo em si, inicia o processo de transgressão, e começa também a eventual punição do indivíduo pelo próprio símbolo que o habita.
Vejam, não vem nenhuma entidade de fora trazer qualquer castigo, e muito menos sentimentos condicionados de culpa e inferioridade podem ser responsabilizados por isso. O des-astre (rompimento com o astro) vem de dentro para fora.
Por mais que se tente, não há a quem culpar.
Observamos que o comprometimento com valores e condições que agridem a natureza essencial das pessoas, podem desencadear a expressão distorcida do símbolo, trazendo desequilíbrios e doenças de todos os tipos, especialmente para a pessoa reativa, aquela que não percebe estar fazendo isso. A idéia desse comprometimento com circunstancias que agridam a condição original do símbolo, tem relação direta com a imposição cultural da necessidade de ser importante, de ser “especial” ou de “estar com a razão”.
Além da importância pessoal, o maior e mais destrutivo dos venenos, temos visto praticantes de astrologia que confundiram totalmente sua vida e sua prática, misturando conceitos religiosos e místicos com a astrologia de uma maneira bastante artificial.
São praticantes que olham somente para fora de si. Ai está a chave.
As distorções na pratica da astrologia podem aparecer sob as mais diversas formas, mas todas elas envolvem a necessidade de aprovação, ou o medo da rejeição (seja de homens, seja de entidades espirituais.
Envolvem também necessidade de poder e controle, ilusão desaber mais da Verdade do que os demais, e por ai vai mais umalista de aberrações não tão incomuns assim.
Todas as distorções implicam em estar olhando para fora, estar julgando o que acontece fora e negando o olhar para si mesmo.
Aguardemos os próximos capítulos das distorções e vamos procurar nos cuidar para não cairmos também nesse engodo da vaidade e sede de poder.
Basta estarmos acordados, procurarmos ser Pró-ativos em vez de Reativos, e refletirmos sobre qual é de fato a nossa importância, se é que temos alguma.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A TRIBO DOS ASTRÓLOGOS LIVRES

ASTROLOGIA E LIBERDADE







A idéia de liberdade é uma das mais fascinantes para todos nós, talvez por estarmos presos a um corpo, presos a tantos compromissos e necessidades, inclusive a da mais básica subsistência.
Creio que, se considerarmos as necessidades básicas da vida (comer, dormir, relacionar-se, respirar), não somos realmente livres. Mas se considerarmos nosso direito de escolher nossos caminhos, de escolher nosso gesto, de elaborar e aprender nossos procedimentos para atender as necessidades básicas, somos livres sim.
Talvez tenhamos mesmo um destino a cumprir, mas a qualidade do ato de cumprir esse destino pode ser nossa escolha. Não creio que alguém tenha nascido para sofrer. Nada na natureza nasceu para sofrer. A dor pode ser inevitável em certos casos, mas ficar sofrendo é uma escolha.
A Astrologia exerceu sobre mim um fascínio extraordinário exatamente por causa disso. Ela apresentou a possibilidade de mostrar caminhos da liberdade, de escolher entre aquilo que pode nos limitar e prender e aquilo que pode nos conectar ao universo e nos fazer usar livremente o que temos de melhor em nossa personalidade.
O conhecimento da Astrologia é a compreensão das leis que regem o universo, é a possibilidade de nos integrarmos ao ritmo e aos ciclos que estão harmonizados com nossa essência e nossas potencialidades. Isso é maravilhoso. Isso é liberdade. É como aprender a ouvir a musica da natureza e poder se movimentar de acordo com ela, com leveza, fluindo, como uma dança mesmo. Creio que é essa qualidade da Astrologia que traz para ela tantos apaixonados, tantos estudiosos, tantos praticantes.
Mas a realidade de um mundo que estabeleceu outras regras e padrões é diferente. A necessidade de criar prisões para as almas, de enquadrar os espíritos para que eles acreditem que essa é a única forma possível de sobreviver em um mundo hostil, é uma característica que se desenvolveu entre os humanos durante sua historia. Esses acordos que mantém as pessoas na "separatividade", separadas de si mesmas, separadas dos outros, não reconhecendo jamais que somos células do mesmo corpo, navegantes do mesmo barco, responsáveis uns pelos outros, comprometidos com a grande nave terra, todos, sem exceção, igualmente importantes, igualmente responsáveis, cada um com sua função, cada um com sua qualidade a ser exercida no sentido de conduzir adequadamente o planeta em direção ao infinito.
E cada um de nós, cada ser humano, fazendo a diferença.
O acordo coletivo, que existe há séculos, e dentro do qual já nascemos, e que, portanto não assinamos e não teríamos necessariamente que obedecer, diz que o ser humano precisa de controle, precisa de limites, precisa de que alguém que se apresente como superior ou mais bem preparado lhe diga o que fazer, o que é certo e errado, em vez de mostrar que todos somos capazes, todos temos nosso papel e nossa responsabilidade, e cada um de nós é o único autor de seu próprio destino.
Dentro desse acordo coletivo de que somos seres separados de nós mesmos e do universo, e conforme a presunção de que alguns seres são mais especiais do que outros, e que, portanto devem saber melhor o que é certo e errado para os outros, muitos astrólogos estão se propondo a estabelecer as regras de comportamento e exercício da profissão de astrólogo.
Não perceberam que estão tirando da Astrologia sua grande vantagem, seu maior mérito, a liberdade que ela proporciona e a consciência que possibilita.
Estão sendo coniventes com um acordo histórico que minimiza o ser humano, transformando-o em um irresponsável que precisa que lhe digam o que fazer. Reconhecem em todos nós apenas crianças inconseqüentes ou cidadãos possivelmente mal intencionados ou mal formados, cidadãos que precisam de uma "ética" externa, estabelecida em comum acordo por aqueles que se intitulam mais especiais e lúcidos, seja imposta.
Para achar que o outro está errado, que a prática astrológica dele é inadequada, alguém precisa se colocar no lugar de ser capaz de julgar, alguém tem que se colocar na condição de ser superior ao outro. Quem disse isso? Quem os elegeu superiores? Quem lhes deu o direito de tirar a liberdade de ir e vir de quem ama e pratica a Astrologia? Quem lhes disse que as pessoas não podem errar e aprender com seus erros, como tem acontecido há milênios?
Para nos convencer usam argumentos nos quais eles mesmos acreditam, porque pensam igual, talvez porque noutras condições, fariam o mesmo. Dizem que aventureiros vão se apropriar da Astrologia, como um tal de sindicato dos terapeutas alternativos. Dizem que a psicologia acadêmica vai se apropriar da Astrologia e torná-la uma simples cadeira nas faculdades. Dizem que usurpadores gananciosos querem se apropriar da astrologia de todas as formas. Parece que estão com medo de perder algo do qual se julgam proprietários. Querem acreditar nisso e querem que todos nós acreditemos nisso. Não suportam a idéia de que Astrólogo é livre e seu trabalho e sua vida dependem de sua consciência e atuação apenas, de tal modo que aqueles que não fazem corretamente e com responsabilidade, não sobrevivem da Astrologia. O próprio mercado e a postura do astrólogo é o que regula seu trabalho, não precisando ninguém de fora para fazer isso.
Claro que existem os enganadores, os tais de picaretas. Alguns exímios em sua arte, tão bons em enganar que certamente serão os primeiros a querer e conquistar a proteção do sistema, os mais empenhados talvez em se colocar na posição de "respeitabilidade" por serem oficializados e andarem de acordo com a lei - com seus registros, crachás e carteirinhas -, lei essa que muitos de seus assemelhados criaram para proteger-se e manter-se no lugar de controlar a situação.
Na minha compreensão, as pessoas que estão empenhadas em enquadrar, institucionalizar, controlar a Astrologia e sua prática, são pessoas que tem duas motivações básicas:
Uma é a necessidade de controlar, pois são personalidades controladoras e tirânicas. O tirano, de acordo com uma compreensão de Nietzsche, é uma pessoa que se considera portadora do Bem, e que conseqüentemente acredita que todos os outros, todo “resto” é o Mal, e que, portanto, precisam ser controlados.
Outra motivação que observo é a do medo. Medos que querem que tenhamos todos, medo que faz as pessoas se agregarem por causa do perigo dos fantasmas, dos monstros noturnos e terríveis que povoam seu universo, exatamente como deviam fazer os homens das cavernas na escuridão da noite, se unindo pelo medo pura e simplesmente para se proteger do perigo que eles imaginavam que existisse. Dessa forma, provavelmente, surgiram a maioria das crenças sombrias que povoam o inconsciente da humanidade. Assim surgiu também um modelo paternalista e protetor, adotado por todos os tiranos e poderosos através dos tempos.
A idéia de que precisamos nos unir para nos protegermos de algo por causa do medo – seja de fora da comunidade astrológica, seja dentro dela mesma – é sórdida e contamina a beleza da Astrologia e seu poder de nos mostrar os caminhos da liberdade, além do fato de não despertar nada de bom nas pessoas, apenas sombra e medo. Quem prefere escolher mobilizar-se pelo medo? Quem quer ser cúmplice desse acordo perverso? Quem escolhe ser contaminado e pegar essa doença também, quando tem diante de si todo um universo de possibilidades maravilhosas, inclusive a de não ter que dar satisfação para nenhum suposto e auto-intitulado protetor de nossos interesses?
Existe também uma argumentação de que aqueles que não aceitam os modelos regulamentadores e instituicionalizadores propostos são seres anacrônicos, dinossauros da Astrologia que não querem ver sua modernização e adaptação às condições do mundo contemporâneo.

Será mesmo?

A idéia de estruturas hierárquicas organizadas e protetoras é tão moderna assim? A idéia de que precisamos de líderes paternais ou maternais para nos dar a direção da vida e estabelecer as regras do certo e errado – como se fossemos todos inconscientes de nossa capacidade, responsabilidade e poder pessoal – é uma atualização da pratica profissional da Astrologia?
Pensemos um pouco nisso também...
A Tribo...
Existe sim a possibilidade de união entre Astrólogos. Somos seres que vivem naturalmente em união, é uma condição do ser humano. Mas podemos escolher se queremos nos unir sob a autoridade de alguém que se supõe melhor que os demais – e que na verdade só acredita que as coisas funcionam quando são controladas por sua sabedoria e de seus assemelhados – ou podemos escolher nos unirmos pelo simples respeito à condição humana e pelo amor à Astrologia.
A Amizade, palavra atribuída e relacionada com o símbolo Urano, é talvez a melhor, a mais saudável forma de promover o encontro das pessoas que possuem em comum o amor pela Astrologia e a liberdade. Isso acontece naturalmente, amizade não pode ser forçada, simplesmente acontece porque tem um fio condutor que vai nos atraindo uns para os outros, e esse fio é a própria Astrologia. Vamos caminhando livremente e encontrando pelo caminho outros seres livres como nós, que acreditam nas mesmas coisas e que sabem que cada um é responsável pelo seu destino e pelos seus atos, e temos um mapa que nos é dado pela própria Astrologia para caminharmos direito, para agirmos em harmonia com as leis do universo e as leis da vida, e assim, vamos encontrando seres que tem a mesma vibração, a mesma consciência, o mesmo desejo de liberdade, e formando uma tribo cada vez maior e mais forte.

Quanto aos "neo tiranos" de plantão, e todos aqueles que acreditam que podem controlar a pratica da Astrologia, - com todo respeito por sua boa intenção e boa vontade - deixemos que eles se controlem a si próprios e àqueles que ainda não entenderam que não podemos abrir mão de uma das melhores coisas que a Astrologia nos proporciona, a possibilidade de sermos livres e autores de nosso próprio destino.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PROJETO DE VIDA

De que serve uma gota d’água?
Desde o momento em que despenca da bica, da torneira, da nuvem, até o instante em que se esborracha no chão do planeta, sua existência acontece, sua finalidade se estabelece e é absoluta sob qualquer ponto de vista, seu projeto é claro: cair.
O formato absolutamente aerodinâmico da gota d’água, talvez uma das formas mais fluídicas que existam – consegue cortar o ar como o mais afiado dos bisturis – define seu projeto existencial, define o ato de cair, simplesmente cair.
Pode parecer efêmera essa existência, viver para cair, existir para cair, obedecer a lei da gravidade pura e simplesmente como se nada mais houvesse para acontecer. Mas é assim que acontece, e talvez seja assim que aconteça com todos nós.
Vivemos para seguir uma lei, talvez tão exata e inquestionável quanto a lei da gravidade, talvez tão misteriosa quanto a lei que faz os prótons e elétrons gravitarem em torno de um núcleo invisível, e vivemos com a precisa duração do intervalo entre o momento em que somos arrancados da nuvem, da bica, da torneira, da fonte de onde viemos, até o momento único em que nos esborrachamos no encontro com o infinito. Esse é nosso projeto de vida.
A aerodinâmica do corpo que ocupamos, sua constituição, sua forma, definem, como na gota d’água, o projeto de nossa existência, nossa queda em direção ao infinito, nosso recurso absoluto para seguir com a lei que nos conduz.
Temos uma opção fantástica, uma escolha definitiva: dispomos de um recurso que pode fazer com que o projeto de vida tenha um sentido maior: a possibilidade da consciência, a possibilidade de conhecer nosso projeto, compreender nossa finalidade, nos integrarmos à existência não apenas através da forma, mas também por meio do conhecimento e da expansão do uso de nossos recursos e qualidades.
Uma gota d’água que sabe ser uma gota d’água, que se conecta com o significado de sua existência, que compreende sua função no conjunto das forças universais que a originaram. Saber-se uma gota d’água é mais que poético, é como se apropriar do próprio destino, integrar-se à lei, usufruir plenamente dos recursos que Aquele que nos gerou, a fonte, a nuvem, nos concedeu para atendermos a essa finalidade maior que talvez jamais possamos compreender em sua totalidade.
Olhando para o horóscopo, podemos imaginar para onde a gota d’água cai. Se entendermos que a gota é análoga ao ascendente, seu projeto é “cair”, seguir seu destino, e seu formato especial existe em função desse projeto. Tudo perfeitamente análogo à função do ascendente no horóscopo, o Projeto de Vida.
Somos gotas d’água lançadas no infinito, em queda até o momento final, com o formato perfeito e adequado à nossa função, àquilo para o qual a força universal nos fez existir, equipados e formatados para atender uma determinada função dentro desse eterno movimento, desse fluxo, desse tipo de queda que é nossa existência.
Repito a pergunta, cair para onde?
Pensando no horóscopo e sua numeração, será que nosso movimento é em direção a casa XII, acompanhando o Sol como o percebemos, acompanhando o movimento aparente dos signos e planetas em direção ao nascente? Ou será que seguimos a ordem lógica das casas, 1, 2, 3, etc, como um movimento lógico e compreensível?
O entendimento dessa direção, do sentido da gota d’água será aplicável a qualquer condição do horóscopo, será uma leitura possível para sabermos para onde a “energia” planetária se dirige, onde fica o foco de nosso agir.
Bem, de todas as análises que pude fazer, apenas uma resposta me ocorreu, só existe uma direção para onde todas as energias representadas pelas configurações planetárias se dirigem, só existe uma direção possível para onde se encaminham os significados do ascendente e de todas as casas, apenas para um lugar se dirige à gota d’água em sua queda poética na velocidade e no tempo de uma encarnação: o centro.
Tudo no mapa parece se dirigir para o ponto central do circulo. Não existe necessariamente uma seqüência , como propõe tantos autores, iniciando na casa I e prosseguindo até a XII, marcando o movimento da vida. Isso é uma compreensão apenas, um modo lógico de ver as coisas.
O Centro do horóscopo é o próprio centro de si, representa o centro do universo, é a metáfora da Fonte Divina. É o núcleo para onde todas as energias, toda resultante de nossos atos, todo efeito causado e toda causa geradora se encaminham.
O centro de si mesmo é a grande meta, o projeto, o receptáculo das energias, a pia batismal que recolhe a gota d’água de cada projeto desencadeado, cada movimento executado na grande dança da existência. É o lugar onde mora o espírito, o olho d’água de onde brota toda existência, onde são gerados a realidade e todos os conceitos e verdades e mentiras e crenças, que tomam sua forma reconhecível quando se manifestam na periferia do circulo, nas casas.
O centro é de onde tudo flui e para onde tudo volta.
Tudo começa ali e termina ali mesmo.
A casa XII é um campo de projeção psíquica cujo foco é o centro do horóscopo. Ela apenas representa possibilidades criadas pela própria essência da pessoa. O mesmo acontece com os valores simbolizados pela casa II, pelo passado compreendido através da casa IV, pela imagem, pelos conceitos, pelos critérios e tudo mais representado por cada uma das casas do horóscopo. Tudo que fazemos, somos, acreditamos que somos se encaminha para o centro do horóscopo, e ao mesmo tempo, tudo isso é uma manifestação, um reflexo da luz que é emanada a partir desse centro.
Quando nos tornamos esse movimento, quando nos sabemos gota d’água em movimento, incorporamos de fato o projeto de nossa existência e passamos a Ser o que temos que ser. Isso se repete para cada uma das casas, como uma porção de gotas d’água caindo em direção a um único núcleo, o mesmo que as gerou como uma fonte que produz vapor que no devido tempo se transforma em gotas. Parece uma reflexão metafísica, mas é na verdade um fato comprovado e confirmado.
Quando assumimos uma relação firme e consciente com nossos recursos naturais, quando nos integramos ao movimento constante da vida, sem julgamento, sem escolhas de conveniência, tanto quanto uma gota d’água pode ser e fazer, nos tornamos o projeto e ai, nesse instante, cumprimos nosso papel divino, a função real para a qual nascemos e nos destinamos.
O fluxo refluxo energético que sempre reconhecemos ocorrer entre as casas opostas, Eu – Tu – Eu, etc, ocorre apenas no plano da identificação com a realidade aparente. Construção e destruição de valores, passado e futuro, liturgia e conexão divina, etc, todo movimento polar é uma descrição de um processo mental. Absolutamente valida dentro de uma proposta de realidade que dependa da crença na realidade aparente e física, mas ainda um começo, uma simples semente quando se imagina a possibilidade de uma integração verdadeira consigo mesmo e conseqüentemente com o infinito.
Todas as relações entre as casas, ou campos de projeção, passam a ser relações casuais e causais, enquanto a verdadeira e maior relação é de cada uma dessas experiências – que evidentemente se integram umas às outras – com o centro do ser, o núcleo gerador de todas as coisas.
Em outras palavras, cada uma das experiências representada pelas casas terrestres –particularmente o ascendente, que simboliza o próprio projeto de vida – por se encaminharem para o mesmo ponto de fuga (ou ponto de encontro) o centro do indivíduo, o coração, o núcleo de onde tudo emana, é destinada a “regressar”, voltar, cair em direção o centro de onde a energia que elas representam foi gerada.
É um verdadeiro processo de “queda”, mas podemos também chamar de entrega, entrega total ao abismo, permitir-se cair indefinidamente em direção ao centro, em direção a si mesmo, que é onde todas as gotas d’água se concentram e se convertem em vida, se tornam o caminho do infinito.
Permitindo ou não, isso acontecerá sempre.
A consciência desse movimento, desse fluxo e refluxo ao ponto central, onde na verdade nos encontramos, faz com que a roda da vida continue a girar, o “samsara” como dizem alguns. A diferença é que, em vez de estarmos sempre na periferia dessa roda, nos tornamos o centro, a fonte de todo movimento.
Dizem que a roda foi a maior invenção mecânica da humanidade. Creio que a roda é só uma projeção de algo realmente útil: o Eixo.

domingo, 27 de julho de 2008

ENCONTRO DE ASTROLOGOS


Nesse sábado, dia 25 de julho aconteceu, em um shopping da zona sul, o primeiro encontro promovido em São Paulo pela CNA (Central Nacional de Astrologia), parte de um projeto que envolve todo o país.
Em outros estados já ocorreram os encontros do projeto durante o mês de junho e, segundo os relatos, foram todos um sucesso.
Algo esta começando a acontecer com a Astrologia e com os Astrólogos. Algo muito bom para todos nós.
O encontro das pessoas, o compartilhamento do que cada um tem de melhor, uma celebração entre tantos que amam a Astrologia.
A necessidade da troca, da doação, do compartilhar faz surgir uma entidade que acontece a partir das pessoas e da sêde de conhecimento que todos nós temos. Não é uma entidade que se impõe sobre os indivíduos, e sim algo surgido do desejo de compartilhamento e união.
Creio que a CNA pode ser uma plataforma, um terreno onde as amizades podem ser semeadas e crescer, brotarem flores e frutos, e até mesmo eventuais espinhos como instrumentos de aprendizado.
União é muito bom! Todos ganham.
Vi alegria e boa vontade nos organizadores, nos participantes, no público (encontrei amigos que não via há mais de 10 anos!), e isso é bem animador.
Em homenagem a esse acontecimento tão importante, a essa semente, republico nesse blog um velho texto escrito com o coração, e que naquele momento causou muita polemica, mas que agora mostra porque veio.
E Viva a Astrologia!
E Vivam os Astrólogos!