quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

COISAS DE CASA VII

COISAS DE CASA VII

Tempo e espaço, duas linhas que se cruzam em nossa mente e em nossas vidas, marcam o centro, o ponto onde estamos existindo. Talvez jamais venhamos a saber o que são o tempo e o espaço, mas temos a percepção constante deles, sentimos seu fluxo a cada movimento, em cada pensamento.
As relações se estabelecem e são percebidas na dimensão chamada Espaço, onde a energia minha e tua fluem, aonde eu vou para você e você vem para mim, onde nossos olhares se cruzam e criam outra realidade, geram o sentimento, produzem uma nova onda de energia que irá se espalhar através do universo. Tudo isso num instante único e definitivo, tudo acontecendo submerso na dimensão do tempo, todas as sensações e movimentos gerando ondas de tempo. Sementes do que há de vir.
Quando eu te conheço e em você me reconheço, quando eu vejo o espelho de mim mesmo em teu olhar e você vê em mim tudo que está guardado em teu coração, estamos no cruzamento dessas linhas, estamos no vértice do tempo/espaço, estamos criando uma nova onda de realidade. Haja sentimento ou não, tanto faz, pois nesse momento em que nossos olhares se encontram somos criadores, nossa força unida produz vida, cria realidade e nos tornamos canais da expressão divina. Essa é a força do amor, a expressão da natureza que se chama amor e que faz a gente se encontrar e se tornar seu canal, seu veículo.
Na circunferência do horóscopo, esse gráfico que pretende representar o fluir da força universal através de nós, e que pode sugerir no plano de nossa psique, a expressão do amor e de toda força da natureza, encontramos esse cruzamento de linhas, uma horizontal representando o espaço, e outra vertical representando o tempo, linhas básicas e fundamentais para estabelecermos as relações dinâmicas entre essas dimensões e tentarmos entender como nos localizamos nelas ou como elas acontecem em nosso viver.
As relações se estabelecem horizontalmente, exatamente como ocorre na superfície do planeta, a energia flui de mim para você e de você para mim, Eu e Tu se encontrando submersos no oceano da existência, e entre nós dois, o tempo misterioso dando significado e substância ao nosso encontro. Eu e Tu num fluir e refluir constante, eterno, absoluto. Mesmo que nossa consciência não esteja preparada para captar e absorver a totalidade de significados e expressões possíveis nesse fluir vital, ele acontece. O eixo I – VII, números atribuídos para facilitar a representação gráfica desse movimento, é o eixo que representa o lugar onde ocorre física e emocionalmente nossa relação.
O ponto I, o Ascendente, representa o projeto de minha vida, representa meu começar, o constante iniciar que ocorre entre a inspiração e a expiração, no espaço entre uma batida e outra do coração, exatamente como a pausa infinita que acontece com o mergulhador entre seu movimento ascendente e a longa queda, o instante parado no ar antes de mergulhar, antes de começar de novo o novo movimento da vida. Todo esse fluxo do existir se dirige em direção a você, ao “outro”, sua direção natural.
Antes que meu projeto de vida te encontre, eu tenho que considerar que meu passado, minha historia de vida estará presente em cada ato executado, em cada gesto. Tudo que eu vivi está contido em mim. Coisas esquecidas, experiências bem resolvidas, mágoas, meu conteúdo é minha história, a substância com a qual sou construído, é a base para que eu execute meu projeto e continue a viver essa historia.
Até o final, até cada novo começo, o tempo se faz presente, se torna fato, matéria, energia, conteúdo de minha psique, força mental e força de agir. Irei até você, até o outro, minha energia fluirá carregando minha história pessoal, muitas vezes fonte de luz e poder, outras vezes sombras que invadem e obscurecem o movimento.


Na dança de nosso encontro, o outro extremo do eixo do tempo também estará presente, minha expressão social, minha imagem, meu status, aquilo que eu tenho para ser admirado ou negado. Você me verá através dessa imagem, ela estará tão presente em nosso encontro quanto a historia que cada um de nós já experimenta desde o nascimento. Mais uma vez o tempo se faz presente. O passado se incorpora ao meu movimento em direção à vida, em direção ao outro, a você, e o futuro se evidencia através da minha imagem, daquilo que você pode perceber em mim como um poder, como um potencial de executar meu papel no mundo, de ter uma performance, de ser alguém, de dar significado a mim mesmo e ao nosso encontro.
Na construção de minha personalidade, que é o veículo no qual irei te encontrar no outro extremo do eixo do espaço, os ingredientes principais são minha historia de vida, o ponto IV do gráfico do horóscopo, e a expectativa que a sociedade, o mundo exterior tem de mim, e que eu tenho dele, o ponto X do gráfico. Meu ascendente é completado por esses dois elementos, dois desafios, duas tensões, duas quadraturas que me mantém coeso e inteiro. Esses dois canais de ingresso na dimensão temporal, passado e futuro, historia e possibilidade de crescimento, campo IV e campo X, estão e estarão sempre entre nós dois, no caminho entre meu ascendente e meu descendente, que simboliza a dinâmica do encontro com o mundo e com o “outro”. Não existe outro caminho para que eu possa chegar até você, me projetar em você, me encontrar em você, sem atravessar essas duas extremidades do eixo do tempo, sem enfrentar minha história e meu papel no mundo, e isso é perfeitamente natural, faz parte da Lei, faz parte do nosso encontro.
Vivemos, no entanto em um mundo complexo, com pouco espaço para exercer plenamente nossos dons, e espremidos entre desejos, necessidades, medos, controle e insegurança, acabamos por criar elementos inadequados à nossa plenitude, ao movimento sereno e pleno em direção à vida, em direção ao outro, e tudo isso que nos é impingido por uma realidade muitas vezes hostil, como uma cascata que flui de geração em geração, de pai para filho, água contaminada por dores e medos de outros tempos – a “má-água”. Com todo esse conteúdo que carregamos, somos muitas vezes conduzidos a expressar nosso projeto de vida de uma forma errada, inadequada, sombria.
A inadequação acontece quando fixamos nossa atenção no passado ou no futuro apenas, no ponto IV ou no ponto X do eixo do tempo. Essas dimensões deveriam ser valores de conteúdo na expressão de nosso destino, de nosso projeto, mas por força de circunstancias limitadoras e minimalizadoras da formação de nossa personalidade, ou por imposição da cultura e da moral de nosso tempo, essas questões acabam se tornando prevalentes, prioridades no caminho até você, e nesse momento, eu deixo de ser eu para ser meu “meio do céu” ou meu “fundo do céu", e é isso que você vai receber de mim, apenas minha relação com o tempo e não minha essência e minha totalidade.
Em nosso movimento em direção ao outro, pode acontecer de eu me dar muita importância, e você se conectar em mim em função de meu ilusório “status”. Nesse caso, essa será a base de nossa relação, e por isso vou me afastando de mim mesmo e me conectando nessa auto importância, ou nas expectativas sociais a meu respeito. Deixo de ser Eu para ser o que esperam que eu seja. Me afasto de meu Ascendente para me tornar o Meio do Céu. O sucesso, o reconhecimento social passam a ser a referencias e o alicerce de nossa relação.Você para de se relacionar comigo e se vincula a minha imagem social.
Em nosso encontro nessa vida, talvez eu seja uma pessoa que carrega o passado consigo de uma forma muito intensa. Só o que aconteceu interessa. Só o valor de minha raça, meu sobrenome, meu berço interessam. Mais uma vez não serei eu a me relacionar com você. Será sim aquilo que eu quero acreditar que corresponde a minha história, com minha família a tiracolo, meu passado impregnando cada gesto meu, tudo que já passou menos o que eu sou agora. Só posso entender minha historia até onde vão os limites de minha capacidade de compreensão, por isso, muito do que eu acredito que eu sou a partir de minha relação com o passado pode ser uma fantasia que eu faço de mim mesmo e por isso, posso estar me relacionando com você por meio de um veículo ilusório, uma crença que me impuseram e que eu aceitei, e isso pode transformar nosso contato em algo irreal, um teatro, uma farsa, um vínculo baseado em nada.
Ambos os movimentos, os caminhos que eu sigo até você, o caminho da casa IV e o da casa X, quando rígidos e absolutos me afastam de mim mesmo. Quem se relaciona com você é uma parte de mim e nunca minha totalidade. E como ao segui-los eu deixo de ser eu mesmo, deixo de estar conectado a meu projeto de vida e minha própria essência, pode acontecer dos aspectos obscuros de minha personalidade, aquilo que não vivi por estar iludido, ou as distorções e patologias sociais que eu assimilo e não consigo evitar, se tornarem dominantes em nossa relação, em minha relação com a própria vida. A sombra do passado e a névoa do futuro me possuem e contaminam nosso olhar, distorcem no espelho o que eu vejo de mim em você e do que você vê de si própria em mim.
Esses caminhos que escolho também me afastam de você. Você vê em mim o que permito que você veja. Você vê o que eu não sou, não fui e nem serei, e eu vejo em você somente aquilo que meu olhar ansioso e obscurecido permite ver.
Quando em nossa relação surge o problema de eu perder a identidade e me afastar de minha própria essência, meu instinto de preservação me obriga a reagir a isso, e dai surge a mágoa, a aflição, o medo, e tudo isso eu atribuo a você. Mas lá, do extremo oposto de meu ascendente, o mesmo medo, a mesma magoa estão vindo. Você também está perdendo a identidade. Não se pode fugir do espelho.
As referencias temporais de nossa existência, nosso passado e nosso futuro, desafios e recursos que deveriam ser estímulos ao nosso crescimento, transformamos em infelicidade, em amargura, em insatisfação. E estamos enganados. Estamos nos enganando apenas.
Nada disso precisa acontecer. A compreensão de que estamos sendo vítimas de um erro de focalização, de uma distorção de nossa visão, pode nos ajudar e não sermos vítimas de nossas próprias sombras e apegos.
Existe uma luz maior, e nós estamos envolvidos por essa luz. Ela é muito mais poderosa que qualquer sombra. A luz do amor que fez acontecer o encontro em nossas vidas, que fez seguirmos em direção um do outro. A luz do amor que nos aproximou para aprendermos um com o outro e a partir dai, seguirmos nossos caminhos. Isso sempre pode acontecer entre os seres humanos. Todas as vezes que o eixo do espaço é amorosamente ativado, somos inundados pela luz.
Estamos aprendendo a entender o que da historia de vida de cada um encontra ressonância no outro. O que da expectativa social de cada um existe no outro. Nossas referencias internas estão ativadas, e elas, quando não são conscientizadas, se tornam perversas para nós mesmos, nos enfraquecem e machucam, talvez por não terem sido vividas direito, talvez por não terem sido resolvidas, talvez por terem sido implantadas em tempos de inocência. Mas as referencias interiores de nossa vida estão ai para serem usadas e trabalhadas. E se o destino nos colocou juntos, é porque podemos resolver nossa historia juntos.
Precisamos questionar o passado, desmistificar o futuro, enfrentar os apegos e as expectativas que se ocultam atrás de nossa falta de consciência e de nosso medo da solidão.
Podemos iluminar nossas sombras. Podemos resistir às ilusões e falsas promessas do mundo. Podemos flutuar, voar e exercer um amor que nunca foi visto antes, pois a luz que fez com que nos encontrássemos no centro dos eixos do espaço e do tempo tinha um plano, um projeto divino. Nada é em vão, nada é por acaso.
Creio que merecemos nos dar uma chance. Estou certo de que merecemos isso. Sempre merecemos uma chance, mesmo porque não escolhemos sofrer. Apenas permitimos que o peso do passado, o peso do futuro, a cobrança da vida, os desafios a serem enfrentados se transformem em sofrimento.
Podemos nos dar uma chance de entender nosso projeto, de entender nosso próprio movimento, nosso íntimo. Tivemos nesse fluir de energia uma boa escola, um grande recurso para entender o eixo do tempo e as sombras que daí derivaram em nossas vidas. Temos agora que trabalhar isso. Cada um a seu modo, cada um criando seu próprio território, cada um vivendo a dor de exorcizar seus fantasmas.
Estamos limpando o espelho, estamos limpando os olhos e o olhar, e poderemos novamente olhar um no espelho que é o outro, olhar nos olhos e passar apenas luz e ternura, pois nós enfrentamos a sombra, assustamos o medo, conquistamos nosso espaço e temos muita força juntos. Temos o poder de enfrentar o sonho do planeta e sobreviver e ficarmos alegres com isso tudo.
Podemos sempre olhar nos olhos da pessoa amada e rir disso tudo.



Valdenir Benedetti

sábado, 3 de janeiro de 2009

AS REVELAÇÕES DE LILITH





A Lilith (ou Lua Negra) - ponto astronômico correspondente ao grau do apogeu (ponto orbital mais afastado em relação à Terra) da órbita lunar projetado na eclíptica zodiacal - vem despertando uma crescente curiosidade entre os profissionais e estudantes da astrologia. O interesse por esse símbolo e suas eventuais interpretações astrológicas tem relação com os movimentos contemporâneos de libertação feminina, bem como com as propostas de uma maior elaboração psicológica da interação masculino-feminino no indivíduo, com o processo terapêutico. Os estudos que têm sido realizados por diversos astrólogos mostram a pertinência e a coerência entre o ponto onde a Lilith se localiza no mapa natal e a manifestação cada vez mais evidente nas pessoas dos significados desse símbolo.

O modelo de feminino permitido ao ser humano pelo padrão ético judaico-cristão baseia-se no mito de Eva, a mulher feita a partir de um fragmento do "primeiro ego": Adão. Vários textos históricos (entre eles, os relatos da Torah assírio-babilônica e hebraica, a versão jeovística para o Gênesis, o comentário bíblico do Beresit-Rabba e as versões aramaica e hebraica do Alfabeto de Ben Sirá (Séc. VI ou VII)), no entanto, citam com variantes a criação de Lilith, a primeira mulher, feita em igualdade de condições com o primeiro homem e expulsa do Paraíso por tentar fazer valer essa identidade.

Adão e Eva são apenas interpretações simbólicas de leis e princípios arquetípicos, correspondendo Adão ao princípio masculino essencial (yang) e Eva à essência do feminino (yin). Além disso, sob o ponto de vista dos alquimistas, é através da união das polaridades (Sol e Lua, yang-yin) que se obtém o "ouro dos filósofos", ou seja, conquista-se a plenitude, o estado divino no homem. A partir desses pontos de vista, pode-se concluir que talvez seja bastante difícil elaborar nossa plenitude ou individuação baseados em princípios simbólicos aparentemente distorcidos, isto é, o masculino (Adão) e o feminino (Eva) manifestando-se em níveis diferenciados.

Acreditamos que essas distorções na interpretação dos mitos satisfaçam algumas conveniências estruturais de nossa sociedade, particularmente a discutível superioridade do homem sobre a mulher. Mas observado sob um prisma astrológico, esse desnivelamento não existe e sua verdadeira função intrínseca seria manter o ser humano afastado de sua outra metade, seu lado yin (ou inconsciente).

Assim, divididos em duas naturezas que não podem harmonizar-se - pois uma delas está simbolicamente em condição de inferioridade - nos tornamos seres frágeis, parciais, facilmente manipuláveis por qualquer sistema de valores. Estamos muito distantes de nossa natureza divina, de provarmos o fruto proibido da polaridade (traduzida por bem-mal) que nos daria acesso ao princípio simbólico de termos sido feitos à Sua imagem e semelhança.

É evidente que uma "mulher" que representasse a possível igualdade de condições com a natureza masculina teria de ser omitida, ou melhor, transformada no símbolo do mal, do pecado, da perdição (mãe de demônios, súcubos, da tentação, do pecado). Mas não é possível, por mais que se pretenda, enganar os mecanismos restauradores da harmonia divina, os quais a própria mãe natureza se encarrega de manter ativos. É a verdadeira evolução das espécies, promovida pela própria natureza em todos os planos da existência, inclusive no espiritual.

Os conteúdos psíquicos simbolizados pela Lilith são muitas vezes interpretados como a raiz da libido. Outras vezes são percebidos como geradores de poderes paranormais, inclinação para a bruxaria, mediunidade, etc. De qualquer forma, tudo o que se diga sobre a Lilith pode ser tão falso quanto verdadeiro, pois não passa de conjeturas - mesmo que baseadas em observação empírica - sobre uma potencialidade simbólica e ainda inconsciente.

Partindo de diversos estudos realizados - particularmente por astrólogos franceses e, no Brasil, pelo professor Zeferino Pina Costa, astrólogo conhecido pela seriedade e profundidade de suas pesquisas - além da contribuição de observações, palpites, opiniões e intuições de diversos astrólogos e estudantes que se interessam pelo tema, tentaremos compor um painel inicial das possibilidades interpretativas desse símbolo no mapa astrológico.

As observações que se fizerem a respeito da Lilith no próprio horóscopo devem necessariamente levar em consideração todas as outras configurações planetárias. É importante não tratar com leviandade elementos simbólicos de conteúdos psíquicos profundos, procurando, dentro do possível, traduzi-los e compreendê-los dentro da dinâmica existencial representada pela totalidade do mapa natal.

De acordo com as diversas fontes citadas, a Lilith poderia corresponder na carta astrológica aos seguintes elementos:

1) Ponto de frustração - A Casa ou signo onde ela se encontra corresponderia à área de experiência (Casa) ou qualidade arquetípica (signo) em relação às quais o indivíduo viveria com um sentimento inexplicável e constante de expectativa e insatisfação, mesmo que a experiência simbolizada por aquela Casa ou signo esteja sendo realizada satisfatoriamente.

2) Fator de inversão - As experiências representadas pelo signo ou Casa poderiam acontecer de maneira inversa ao esperado, reforçando a frustração e a insatisfação quanto àquela experiência.

3) Canal de contato com outras dimensões - Diferentemente de Netuno, que representa o canal de acesso ao inconsciente coletivo, a Lilith representaria um ponto de acesso ao "inconsciente do inconsciente coletivo". Pode simbolizar também qualidades mediúnicas poderosas.

4) Mecanismo de evasão ou recepção de energia vital - Pela manifestação da Lilith através da configuração astrológica da qual participa (Casa, signo, aspectos, etc.) o indivíduo pode liberar sem intenção grande quantidade de energia vital, esvaindo-se, muitas vezes, completamente. Da mesma forma, ele pode absorver essa mesma vitalidade de outras pessoas.

5) Ponto de acumulação das energias não utilizadas - A experiência existencial e os princípios astrológicos dizem que a natureza sempre oferece oportunidades e ferramentas para que o indivíduo se realize e cumpra seu projeto. Quando ele não aproveita essas oportunidades por qualquer motivo, a energia disponível e não usada se transforma em uma espécie de lastro, o qual se incorpora ao sujeito, incomodando e atrasando sua realização. É mais um fator frustrante, é tudo aquilo que deixamos de fazer e que deveríamos ter feito.

6) Conteúdos infantis não elaborados - A Lua representa no mapa natal os conteúdos primários instintivos, inclusive a experiência existencial da infância. A Lua Negra representaria as experiências infantis não vividas, possibilitando manifestações e reações bastante infantis na área onde ela se encontra - geralmente de forma compulsiva e exagerada.

7) Ponto de carisma - As configurações das quais a Lilith participa no mapa são muitas vezes caracterizadas por um forte magnetismo ou carisma, especialmente quando o indivíduo atua harmonicamente nas questões envolvidas. Talvez esse fenômeno esteja relacionado com um tipo de acesso à libido.

Existem inúmeras outras conjeturas relativas ao papel astrológico da Lilith, mas as citadas anteriormente são as mais facilmente observáveis no cotidiano de cada um de nós. São meros pontos de partida para um estudo mais aprofundado, para novas descobertas. A questão está aberta a quem estiver disposto a encará-la.

Referências ao modelo cármico, também atribuídas à Lilith por alguns estudiosos, exigiriam um trabalho mais extenso e especializado, além de serem pouco funcionais, estacionando na maioria das vezes no campo da especulação metafísica.


Damos a seguir algumas sugestões de interpretação desse símbolo em termos de signo e casa (a posição por casa é, em geral, mais facilmente observável).

Áries ou na Casa I - Pessoa em geral brilhante e carismática. Comportamento excêntrico, sem grande compromisso com regras ou padrões morais e sociais. Necessidade compulsiva de conquistar. Reação infantil saliente diante de desejos não realizados. Sentimento freqüente de insatisfação consigo mesmo, com a própria vida, o que pode levar o indivíduo a lutar muito para superar essa sensação e, geralmente, a conquistar posições relevantes em seu grupo social. Tende a reagir agressiva ou obsessivamente diante da eventual necessidade de assumir papéis paternos.

Touro ou na Casa II - As questões de valor são tratadas com relativa obsessão. Independentemente de estar em boa situação financeira, por exemplo, o indivíduo age como se precisasse de mais, muito mais. Está tão insatisfeito com o que possui, que muitas vezes não percebe seus próprios talentos ou qualidades notáveis. Quer o que não tem e tem o que não quer. Acumula coisas em excesso e se desfaz delas compulsivamente, renegando-as, de certa forma.

Gêmeos ou na Casa III - Avidez insaciável por conhecimento e informação (pode, por outro lado, rejeitar as informações, não lendo jornais, por exemplo). Eloqüência e agilidade mental. Tendência a falar sobre coisas acerca das quais preferiria ter-se calado, a iniciar cursos que não pretende concluir e a adquirir livros que não pretende ler.

Câncer ou na Casa IV - Tendência a viver insatisfeito com a família, com a história pessoal, a educação e a formação que recebeu. É geralmente rigoroso e exigente no processo de formação de um lar, mas acaba concretizando algo que não corresponde às suas expectativas. Muitas vezes vive de casa em casa, de convivência em convivência, tentando realizar algum ideal oculto de vida familiar. Inclina-se a atribuir muitas de suas frustrações e derrotas circunstanciais aos seus pais ou familiares. Vida interior bastante intensa, com relativa facilidade de acesso à sua realidade mais profunda. Devoção apaixonada pelas crianças, acompanhada de impaciência e dificuldade em aceitá-las como realmente são.

Leão ou na Casa V - Pode manifestar-se sob forma de dramaticidade ou necessidade compulsiva de impor sua vontade sobre os demais. Pode também corresponder a uma grande dificuldade em sentir-se identificado com o que realmente é. Notável criatividade física e mental, acompanhada por um sentimento de insatisfação, o que faz com que o indivíduo se empenhe mais e mais em atividades criativas (ou em fazer filhos, simplesmente). Possibilidade de bloqueios nos mecanismos de prazer, desencadeando uma busca exaustiva ou então uma fuga de qualquer situação representativa da sensação de prazer.

Virgem ou na Casa VI - A questão atingida é o trabalho e o método. Insatisfação com sua atividade cotidiana, mesmo quando essa lhe for adequada. Comportamento evasivo ou infantil no ambiente de trabalho. Geralmente muito preocupado com a saúde, procurando todo tipo de terapia ou tratamento de que ouve falar, mesmo sabendo que não precisa (- é só precaução - afirma). Rigor lógico e formal em suas atividades. É comum não gostar daquilo que faz e não fazer aquilo que gosta.

Libra ou na Casa VII - É possível uma tendência a projetar suas frustrações e insatisfações nos associados em geral. Em uma relação afetiva, por exemplo, pode acontecer de, cada vez que o companheiro exibir sua satisfação e bem-estar, o indivíduo dar um jeito de bloquear e frustrar a alegria do outro. Pode desejar alguém inatingível, mas, se esse alguém tornar-se possível, descobrirá que não era bem isso que desejava. São pessoas que exigem muita paciência e compreensão de quem convive com elas. São suscetíveis, magoam-se facilmente e fazem questão de demonstrá-lo. Também podem ser infantis no seu convívio. Possuem fascínio pelo lado oculto das coisas, o que pode conduzi-las ao estudo das ciências herméticas ou a relacionamentos com místicos, mágicos, gurus e até mesmo charlatães.

Escorpião ou na Casa VIII - Confere uma atração excepcional pelo ocultismo, particularmente pela magia, xamanismo, feitiçaria, enfim, pelas práticas, que se relacionam com mecanismos de poder ou de acesso a outros planos da existência. A pessoa tem uma razoável disponibilidade de poderes curativos e regeneradores. Insatisfação com a condição material em que vive, com inclinação a tornar-se financeiramente dependente do companheiro. A necessidade de algum tipo de poder pode ser obsessiva e causar um comportamento tirânico ou até mesmo cruel com relação ao parceiro. Provável fascínio ou temor pela idéia da morte, física ou simbólica, o que pode levá-la a procurar conhecê-la pelo estudo da medicina ou do espiritismo.

Sagitário ou na Casa IX - As eventuais dificuldades sugeridas pela presença da Lilith nessa área referem-se principalmente às viagens ao Exterior e aos estudos superiores, sendo até mesmo possível que o indivíduo veja frustradas suas expectativas de fazer uma grande viagem ou concluir um curso universitário. Mas o conhecimento obtido por caminhos informais é freqüente e as viagens incomuns (astrais, por efeito de drogas, etc.) podem compensar seu ideal de expansão. Existe uma forte inclinação para a busca filosófica sem fim. Por outro lado, essa posição da Lilith favorece o acesso a um significativo conhecimento das misteriosas leis que regem a vida, a natureza.

Capricórnio ou na Casa X - Se, por um lado, pode haver uma expectativa frustrada de prestígio e status social, por outro, o indivíduo tende a empenhar-se com o maior afinco para realizar esse tipo de ideal. É comum essa posição da Lilith determinar uma disposição para sustentar uma imagem muito elaborada para o mundo e outra completamente diferente na intimidade. Uma grande quantidade de energia é investida na manutenção dessas duas personalidades. Essas pessoas tendem a ser pais ou mães possessivos e controladores, mesmo que ajam com delicadeza e muito boas intenções. Não permitem intromissão em suas relações íntimas ou familiares (um mundo secreto) - em alguns casos por se envergonharem de seu passado ou de seu presente familiar.

Aquário ou na Casa XI - Esses indivíduos tendem a mudar de grupo social com bastante freqüência. Sentem-se incompreendidos ou magoados por qualquer contrariedade advinda de seus amigos. São em geral críticos cáusticos dos mecanismos sociais de seu tempo. Preferem elaborar e alimentar a esperança de reequilibrar a sociedade a partir de um modelo pessoal. Podem ser idealistas românticos ou até mesmo rebeldes sem causa. Possuem grande perspicácia política e são compelidos interiormente a agir em benefício de seus semelhantes. Muitas vezes acabam mais atrapalhando do que melhorando a situação, pois podem apoiar-se em alguma inadequação interior ao interferir em algum processo. A amizade das crianças merece a sua mais verdadeira confiança, coisa difícil de acontecer com os adultos.

Peixes ou na Casa XII - Buscam o mágico e o místico em todas as coisas e nunca estão satisfeitos com suas conquistas no plano espiritual. Alguns indivíduos com a Lilith nessa posição negam e renegam qualquer realidade mística, comportando-se de maneira obsessivamente racionalista. Alguns possuem inclinação hipocondríaca. São em geral bastante talentosos. O medo de expor-se e de ferir-se, ou uma forte inclinação para fazer-se de vítima, poderá levá-los a perder grandes oportunidades de realizar seus sonhos.
Valdenir Benedetti
(Texto publicado na revista "Astrologia Hoje" e no livro "Manual de Astrologia Essêncial" - Ed. Ground)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A ARTE DA INTERPRETAÇÃO DO HORÓSCOPO







ALEXEY DODSWORTH

ASTROLOGIA HORÁRIA
(6 Dez das 10 às 12 hs)

A Astrologia horária, dentre todas as vertentes do vasto campo do saber astrológico, é provavelmente a mais clara demonstração de quanto um conhecimento pode ser simples em suas regras. Tal simplicidade, longe de ser um demérito, constitui a vantagem da Astrologia horária, além de ser a justificativa de sua notável eficácia. Que não se compreenda, entretanto, sua simplicidade com leviana facilidade. O estudo de cartas horárias demanda uma atenção redobrada, pois por um detalhe podemos perder elementos importantes que deveriam ter sido considerados. E as regras envolvidas são muitas, exigindo do estudioso mais atenção e muito estudo.
(...)
Particularmente, valho-me da Astrologia horária (e de outros oráculos) apenas quando compreendo que não poderei obter a resposta devida por vias outras. A minha recomendação expressa é: oráculos não são uma necessidade, são um instrumento possível. E quanto mais o consulente mantiver em mente uma postura respeitosa não apenas em relação aos oráculos, como sobretudo em relação a si mesmo, tanto mais eficientes serão os oráculos para ele.



ANTONIO CARLOS HARRES BOLA

SABER OS CÉUS


(5 Dez, das 20 às 22hs.)

Este termo foi criado por Amâncio Friaça e me parece que é o que melhor reflete o que vou tentar sinteticamente tratar aqui. Saber tem a mesma origem da palavra sabor: algo que só se atinge por experiência própria, pelo contato direto, pela vivência diária, pela comunhão onde não há distinção entre observador e observado, sujeito e objeto. Em suma, onde impera uma visão não-dualista, onde ciência e com-ciência andam juntas e, muito antes de qualquer física quântica, sabe que toda a interpretação está sujeita à interferência do intérprete através de seus sistemas de crenças, baseados em sua forma particular de perceber o mundo – a começar pelo próprio mapa astral sob o qual respirou nele a primeira vez –, segundo suas origens genéticas, étnicas, o momento histórico, a cultura e a educação formal e religiosa que tenha recebido.


EDIL CARVALHO

A ASTROCARACTEROLOGIA E A COSMOVISÃO HUMANA
(6 Dez, das 14 às 16hs.)

O mapa astrológico pode ser considerado como um sistema que abarca e cataloga as experiências mais importantes e radicais de que se constitui a vida humana, sobretudo se considerarmos as experiências representadas pelas doze Casas Astrológicas, tais como amor, família, trabalho, morte etc. (...)
A Astrocaracterologia, concebida pelo filósofo Olavo de Carvalho em 1989, leva adiante tal investigação, associando tais observações antigas àquilo que de mais consistente a psicologia moderna produziu sobre o mesmo assunto, construindo assim uma teoria astrológica de fundamento cognitivo.



GREGÓRIO J. PEREIRA DE QUEIROZ

AS QUALIDADES PRIMITIVAS NA INTERPRETAÇÃO
(6 Dez, das 16:30 às 18:30hs.)

Quem estudou Astrologia sabe que existem as Qualidades Primitivas, as dinâmicas Quente, Úmido, Frio e Seco, que formam elementos, signos e planetas. Em algum momento, o estudante de Astrologia vem a conhecer estas Qualidades e aprende que elas estão na base da construção de signos e planetas. Mas não se encontra informação a respeito do uso efetivo das Qualidades Primitivas na interpretação da carta astrológica. (...)
Este texto pretende mostrar como trabalhar a interpretação da carta com as Qualidades Primitivas, preservando sua presença na análise de signos e planetas, interpretando a relação entre eles, e sua posição nas Casas, de acordo com a configuração que nos é dada por essas qualidades.



MAURICIO BERNIS

PROGRESSÕES SECUNDÁRIAS E TRANSITOS PLANETÁRIOS
(7 Dez, das 10 às 12hs.)

(...) Sendo assim, só existe uma maneira de se ampliar o livre-arbítrio: ampliando-se o espectro de percepção do ser humano, de tal forma que ele possua uma gama maior de elementos para decidir seus passos e opções. E isto somente se obtém através de um maior auto-conhecimento e, obviamente, através da utilização das funções subconscientes.
A Astrologia e suas técnicas previsionais se apresentam como uma via opcional de iluminação, uma vez que elas apontarão caminhos, tendências, estímulos e oportunidades.


OSCAR QUIROGA

SEGREDOS DA INTERPRETAÇÃO
(7 Dez, das 14 às 16hs)

Primeiro segredo: A Proposta.
Considerando que a intervenção de um profissional de Astrologia tenha por objetivo a orientação, parece-me que o grande segredo da interpretação consista em se ter em mente um objetivo claro a respeito da informação que se ofereça a um consulente. Ou seja, há de se ter uma imagem mental do que seria a Ordem que permeia o Universo, pois, a Astrologia deve todo seu sentido e significado ao fato de o Universo não ser construído ao acaso, mas seguindo as linhas dispostas de forma inteligente e intencional pelo que pareceria ser uma Inteligência Superior.



VALDENIR BENEDETTI

DOMÍNIOS E FUNÇOES TERRESTRES DOS PLANETAS
(7 Dez, das 16:30 às 18:30 hs)

OS DOMÍNIOS
Domínios são territórios, espaços a ser explorados, cenários onde projetamos nossos desejos, nossas sombras, nossa luz. É onde experimentamos a vida e reconhecemos as referências do ambiente, das relações. São as funções do ser objetivamente sendo expressas e atuadas na esfera física e em espaços perceptivos e existenciais em todos os planos que podem ser experimentados.

AS FUNÇOES TERRESTRES
Regência, exaltação, exílio e queda são tradicionais designações para as posições dos planetas em signos com os quais tenha algum tipo de identificação analógica, por sua presença ou por sua ausência, complementando dentro de uma linguagem simbólica e completamente sintética os significados dos signos, e funcionando inclusive como referenciais funcionais desses mesmos signos.



Inscrições para o ciclo de palestras:


REGULUS ASTROLOGIARua Estela, 515 • Bloco E • Conj.71 • (11) 5549 2655 http://www.regulus.com.br/

ASTROBRASILRua Estela, 515 • Bloco F • Conj. 102 • (11) 5083 0260 http://www.astrobrasil.com.br/

com Valdenir Benedetti, mediante depósito bancário (informe o depósito por email e traga o comprovante no dia do evento)

Banco Itaú : agência 0553 : conta corrente 45412-5

Valor:Até 30 de novembro: R$ 180,00 (para sócios da CNA: R$ 150,00)

A partir de 1º de dezembro: R$ 210,00 (para sócios da CNA: R$ 180,00)


Organização: Valdenir Benedetti (valbenedetti@gmail.com)




LOCAL: AUDITÓRIO SÃO VICENTE DE PAULO

Rua Albuquerque Lins, 844 - Higienópolis - SP

domingo, 9 de novembro de 2008

GURDJIEFF




“Se um homem pudesse entender todo o horror da vida das pessoas comuns, que estão dando voltas num círculo de interesses insignificantes e insignificantes objetivos, se pudesse entender o que é que elas estão perdendo, compreenderia que só pode haver uma coisa importante para ele – escapar da lei geral, ser livre. O que pode ser importante para um homem que está na prisão e foi condenado à morte? Somente uma coisa: Como salvar-se, como escapar: nada mais é importante."
G. I. Gurdjieff

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ESTAR PRESENTE

Estar Presente


Tenho observado a dificuldade constante que algumas pessoas têm para "estar aqui", estar presente. Tenho constatado principalmente em mim essa dificuldade.
Creio que essa foi um dos maiores obstáculos em minha historia para que eu me conectasse com meu próprio crescimento.
Estou reconhecendo que quase sempre estive ausente, sempre estive em outro lugar qualquer, menos onde eu realmente estava. A mente divagando, indo para o futuro, mergulhando no passado, buscando referências lógicas, emocionais, surreais às vezes, qualquer coisa para que eu me ausentasse do momento a ser vivido, do lugar a ser de fato ocupado.
Esse estado de "ausência" tornou-se um modo de vida, transformou-se na única realidade possível. O Eu ausente transformou-se, com o tempo, na única coisa a ser reconhecida como o verdadeiro Eu.
Aprender sobre essa ausência foi e continua sendo uma tarefa áspera. Perceber o quanto sou incapaz de me sintonizar com o presente, com o momento vivido; o quanto é difícil ouvir os sons e vozes do lugar em que estamos; como é complicado se relacionar com o "outro" sem me abstrair com meus próprios pensamentos, sem me deslumbrar com os sentimentos que transbordam. Perceber que estar presente é muito difícil porque depende sempre de ter consciência do "outro", reconhecer no "outro" tudo que existe em mim e que tantas vezes não quero ver, por isso a mente escorrega para labirintos lógicos ou para recantos obscuros que não tem talvez o menor vínculo com o que está acontecendo no presente.
Todo esse processo de desviar o foco de atenção para algum lugar que não seja "aqui" é necessário para alimentar a ilusão que foi construída ao longo do tempo a respeito de si próprio. Se eu me focalizar na realidade mesma do que está acontecendo, terei que reconhecer que talvez Eu não seja exatamente o que penso ser, o que espero ser. Perceber que talvez nós sejamos outra coisa diferente de tudo que aprendemos, tudo que construímos dentro de nós mesmos é muito forte, representa às vezes um processo de perder a identidade.
Acontece que essa "identidade" é, --em função da falta de conexão com a realidade--, totalmente falsa, artificial, construída com fragmentos de idéias que nem sempre nos pertencem, elaborada com dogmas, conceitos, verdades que talvez pertençam a outra realidade, a outras pessoas, e que não afinam com nosso coração, com nossa essência.
Perder a identidade, aquela, pode ser o caminho para encontrar a identidade.
O processo de estar presente se torna cada dia mais doloroso na medida em que temos que tirar a roupa, tirar as vestes todas, ficarmos definitivamente nus das ilusões que nos acobertavam e aqueciam. Olhar-se no espelho do "outro" totalmente nu de preconceitos, justificativas e julgamentos é descobrir a própria identidade, é descobrir quem realmente somos, quem sou Eu.
Essa caminhada nada suave traz uma recompensa. Traz a consciência de si mesmo, traz a pessoa verdadeira à tona, traz a verdade para a superfície, nos transforma em pessoas de verdade, que é o primeiro passo para a evolução, provavelmente o princípio de um conhecimento maior, de uma conexão com a realidade divina.
Enquanto eu for um personagem forjado pela necessidade de dar significado à minha existência dentro de um contexto ilusório, não posso de fato progredir. Estarei circulando em torno de mim mesmo, em torno de minhas idéias e das idéias que me foram destiladas pela vida, estarei voando aleatoriamente como mariposa em volta da luz, sem jamais poder ter um contato real com a Luz.
Despir-se do personagem que criamos não significa abrir mão das defesas básicas, do instinto de sobrevivência; não significa também tornar-se anti-social ou alienado. O que acontece é que, na medida em que vamos nos desnudando de nossa história e nossos disfarces e caminhando ao encontro de nossa essência, começamos a nos relacionar com o que é mais essencial no "outro", estabelecemos uma relação mais verdadeira com o mundo que nos cerca, entramos em contato com a natureza real das coisas, nos tornamos pessoas reais.

Contam os árabes que Alah certo dia resolveu mudar todas as águas do mundo, e aquele que bebesse da nova água se esqueceria de sua porção divina, se esqueceria que era a manifestação de Deus, o próprio Deus. Um único homem prestou atenção às palavras do profeta que revelou a intenção de Alah, e foi até a fonte e encheu muitos barris de água, que escondeu em uma caverna que só ele conhecia. Veio um imenso diluvio que inundou toda a terra e lavou a água que existia, todas as águas foram trocadas e, cada um que bebia da nova água imediatamente se esquecia que era parte de Deus, se esquecia que era uma criatura divina porque era filho da Divindade. O homem que ouviu o profeta não bebeu da nova água, ia todos os dias a seu esconderijo e bebia da velha água, aquela que não fazia esquecer, e ele era o único que sabia a verdade, o único que não havia esquecido quem ele era na verdade.
Depois de muito tempo, o homem que lembrava começou a se incomodar com a solidão, com o isolamento ao qual era submetido por todos os outros, que não o compreendiam, não sabiam o que ou quem ele era na verdade. A pressão da solidão foi muito grande, a vontade de se relacionar, de trocar com as pessoas começou a imperar e o homem acabou bebendo da nova água. Imediatamente se esqueceu de quem ele era e se tornou igual a todos os outros e nesse dia houve uma grande festa para comemorar a milagrosa cura do louco, que retornou de sua loucura para o convívio dos homens de bem...


A questão é essa, bebermos da água que nos faz lembrar quem somos na verdade, aceitarmos quem somos, sermos nós mesmos em conexão com a natureza, em sintonia com as leis do universo, pode representar um movimento em direção à solidão e isolamento por parte de pessoas que nós amamos. Nos tornarmos nós mesmos pode representar sermos alvo de um julgamento duro e ácido de que nos alienamos ou estamos com algum desequilíbrio, pois a referencia de todos será sempre o mundo ilusório dos personagens que cada um criou para sobreviver. Talvez por isso seja tão difícil optarmos por beber a velha água e nos lembrarmos de nossa conexão com Deus.
Aquele que se despe de seus disfarces, que deleta o personagem conveniente, fica presente, se relaciona com o momento, com o agora, com o instante que está vivendo, e ai então percebe que não está só, que tem muitas pessoas fazendo isso, tem gente se despindo dos julgamentos e do medo de ser julgado e se posicionando no mundo, ficando presente.
Não estamos sós. Aqueles de nós que estão atendendo o apelo do Eu verdadeiro e se transformando e se libertando encontram pelo caminho muitas pessoas que estão vivendo o mesmo processo, que também estão se desnudando da ilusão e procurando serem verdadeiras. Cada dia mais pessoas estão compreendendo que é necessário quebrar as regras que nos prendem a um mundo ilusório que nos aliena de nós mesmos, que nos transforma em personagens e caricaturas de pessoas. A cada instante tem gente rompendo com acordos sociais, compostos de infinitas clausulas de certo e errado, e que foram celebrados sem nossa presença e sem nossa concordância, e que por isso não temos que obedece-los.
Dizem os xamãs e videntes Toltecas que no mundo material o semelhante repele o semelhante, como os pólos de um imã. Os opostos se atraem nesse universo. No plano transcendente, onde circulam forças espirituais, onde apenas a Luz e a verdade prevalecem, o semelhante atrai o semelhante e por isso, aqueles que se libertam da necessidade de ser aceito de acordo com as regras dos outros, aqueles que se conectam consigo mesmos e com a Realidade, se sentem atraídos e se ligam e se unem com os que estão fazendo a mesma caminhada em direção à Luz.
Por isso não é preciso sofrer de solidão, não é preciso se apegar à formulas e comportamentos que nos dêem a ilusão de aceitação, não é necessário ter medo de estarmos separados do mundo, pois o mundo real está se apresentando para os que experimentaram o desapego, os que venceram o medo e ousaram ser eles mesmos.
Felizmente não estamos sós.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A GRANDE DAMA


Um amigo me apresentou a idéia de que para ele a astrologia se parecia com uma senhora assim meio gorda, meio decadente, com verruga no nariz e um tanto esculhambada. Essa era sua visão pessoal para a Grande Dama.
Estávamos conversando sobre amar ou não a astrologia, dai surgiu essa idéia. Dá para amar essa tal senhora?
Creio que ele a viu de verdade, como ela é, como ela pode ser. Ou como a veríamos se a encontrássemos em um descaminho qualquer da vida.
Ela é assim mesmo, eu creio.
Meio aquelas xamãs que o Castañeda teve que se confrontar em seu aprendizado com D. Juan. Tinha até uma que convoca essa imagem, "La Gorda", uma feiticeira perigosa e poderosa que poderia matar quem não fosse um homem de conhecimento, um homem de poder.
Creio que a astrologia é assim mesmo, como La Gorda, uma feiticeira de muitos poderes, uma encantadora que domina os mistérios, que cozinha as forças da natureza em seu fogão de energia solar e lenha fumarenta.
Seios grandes e caídos sobre o peito, seios de quem amamentou muitas crias, pele morena e esticada, com algumas rugas que parecem caminhos para o infinito, e cabelos antigos, muito antigos.
Ela pode ser encontrada na madrugada em um buteco na Lapa, comendo torresmo e ovos coloridos, bebendo cerveja com prostitutas decadentes, migrantes sertanejos, estivadores e madames satã reencarnadas, viados, traficantes e algum burguês perdido, querendo parecer exótico.
Ela pode ser encontrada entre as senhoras que recolhem roupas para campanhas de inverno. Pode estar às vezes cantando hinos em uma rodinha de evangélicos na praça de alguma cidade. Pode ser aquela mulher sem rosto, suada, carregando uma imunda sacola de compras e indo em direção a lugar nenhum.
Ela pode parecer uma jovem tesuda de cabelos encaracolados, daqueles que parecem estar sempre molhados, daquelas que parecem sempre estar saindo do banho, fresca e viçosa, e que provoca o olhar ávido dos homens, o olhar blazê que disfarça a inveja de algumas mulheres. Pode parecer uma executiva elegante a caminho de uma reunião de deuses do dinheiro em lugar nenhum. Pode parecer até mesmo uma criança pedindo para ser embalada, como já disse outro enamorado dessa dama. Pode parecer o que quiser, porque a grande Dama é a expressão do encanto, e será aquilo que conseguirmos enxergar, aquilo que precisarmos enxergar, aquilo que merecermos enxergar.
Ela não é necessariamente bonita, mas é fascinante, emana um poder, um tipo de luz. Provoca o a sensação de que ela tem o poder de nos abrigar, nos acolher, mas pode também nos sufocar, enlouquecer, matar mesmo se assim lhe convier.
Mas quase nunca vemos seu rosto, ela parece estar sempre olhando para outro lado, e muito raramente mesmo, encontramos seu olhar, pois ai é que parece estar o centro de seu poder, o centro do universo, o vértice de toda energia, um turbilhão de forças caóticas de onde tudo que existe se origina.
Nossa tacanha expectativa ousa imaginar esse olhar, acredita poder imaginar os olhos e o olhar da velha dama.
Esperamos que seja baço, pela aparência daquele corpo gordo ou etéreo, esperamos que seja um olhar cinzento e opaco, nublado por incontáveis cervejas e baseados, tragados atrás de paredes encardidas. Pensamos que pode ser como o olhar dos insones, dos bêbados ou das crianças recém nascidas, ainda encobertas com a névoa que trazem da travessia que fizeram antes de chegar aqui.
E pode não ser nada disso. É o seu mistério.
Encarar esses olhos, mergulhar nesse olhar, pode ser uma surpresa definitiva.
Seu olhar é um abismo, tem o brilho de uma estrela, tem a cor do infinito, nos atira em um vortex magnético, nos atrai para um turbilhão de quantuns enlouquecidos, faz a gente entender o que é o buraco negro, supernova, galáxias e infinito.
Se encontrarmos esse olhar absurdo em um descuidado gesto de nossa busca, em um lapso do tempo e do movimento de nossas vidas, como quando percebemos sombras luminosas passando voláteis ao nosso lado, e ao virarmos a cabeça só encontramos a paisagem, nesse momento raro e infinito, certamente pasmos e provávelmente assustados, veremos que a velha dama, a gorda de peitos enormes e densos, tem os olhos da pessoa amada, aquela que se foi para a terra do nunca, ou que nunca chegou a acontecer além de nossos mais secretos sonhos.
Reconhecemos, quando temos a oportunidade de encontrá-la em algum recanto selvagem e belo da natureza, em algum muquifo sórdido habitado por almas perdidas, o fato de que a grande dama, a senhora Astrologia, parideira de ânimas, arquétipos, deuses, reconhecemos enfim que essa grande senhora é a fonte por onde brota a água mais sagrada, a água do amor e do conhecimento.
Ninguém pode simplesmente amá-la, pois se ela é a fonte dessa energia, do próprio amor, seria o paradoxo. Ela é a fonte ou talvez o canal, não sei bem.
Cada vez que olho um circulo, olho para Venus majestosa no céu, olho para a Lua clareando caminhos, aqueço meus ossos ao Sol da tarde, sinto a presença dessa dama, sinto seu cheiro, seu suor, sua energia envolvente.
Cada vez que ouço uma musica e percebo o ritmo que existe, cada vez que sinto e lembro a existência de meu coração batendo no peito, cada vez que percebo a dança das energias entre as pessoas, se amando, se odiando, reconheço a velha senhora caminhando com seus passos suaves entre todas as coisas, entre os seres, ocupando cada silêncio entre as notas da melodia, o suspiro dos amantes, as batidas do tambor.
Ela está aqui, está em todo lugar, porque ela é infinita como o infinito, porque ela é a portadora da Lei, das tabuas da grande Lei, e ai reside seu poder.
E como disse outro alguém, ela é tão antiga que não mais menstrua, não conhece regras, superou todas as regras, a não ser as do amor e da natureza, que tem ritmo e melodia que não se pode chamar exatamente de regras.
Creio que não podemos amá-la ou desejá-la simplesmente, porque é dela que emana a energia criadora que faz com que existam todas as coisas. Mas podemos ser seus amantes, e ela nos acolherá a todos, e a todos irá alimentar com seu leite, com sua verdade, com sua luz.
VaL

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

PESQUISA E ESTATÍSTICA

PESQUISAR O QUE MESMO?



Estou publicando abaixo um e-mail escrito pelo Professor Rodrigo Araês, astrólogo notável que aqui se apresenta mais como professor e cientista do que própriamente como Astrólogo.
O email foi publicado em uma lista regional da CNA, onde aconteciam debates a respeito a necessidade ou não de se fazer "pesquisas" em Astrologia.
Considerei as colocações do Rodrigo brilhantes, coerentes e dignas da consideração de todos que pretendem fazer ou acreditam na necessidade de pesquisas estatísticas dentro da prática astrológica.
Recomendo veementemente a leitura por todos. Tem a expontaneidade e naturalidade própria de um texto escrito em lista de debates, portanto, não é um estudo científico formal, se bem que tem conteúdo digno do maior respeito, além de ser imensamente esclarecedor.
Grato.



USO DA ESTATÍSTICA EM ASTROLOGIA

Por: RODRIGO ARAÊS




Em março deste ano resolvi, por interesse profissional (sou professor da disciplina “Probabilidade, Estatística e Processos Estocásticos”), assistir uma aula de Estatística do Prof. Dr. Júlio César Rodrigues Pereira no curso de Pós-graduação em Cardiologia do IDPC- Inst. Dante Pazzanese de Cardiologia. Aula muito interessante, clara e objetiva. Dr. Júlio nos contou a seguinte história:
“- Fui procurado por um médico da Santa Casa que iria defender tese de Doutorado em Medicina. O motivo de sua procura foi que, por insistência do orientador, ele deveria dar um tratamento estatístico aos seus dados para torná-los mais científicos. Perguntei qual era a casuística, tempo de pesquisa e que a que conclusões ele já tinha chegado. Disse que pesquisava o assunto há mais de dez anos, tinha centenas de casos e com tratamentos bem sucedidos, pois aliava a pesquisa à prática médica. Era conhecido, no Brasil, como um dos maiores especialistas no assunto. Perguntei a ele, em seguida: Doutor, e se a estatística mostrar que o senhor está errado? Sua resposta foi clara. Doutor Júlio (os médicos e advogados sempre se tratam de doutor), isso é impossível, e mesmo que fosse possível nada neste mundo irá mudar o que penso depois de tantos anos de pesquisa e resultados positivos na área. Respondi: Doutor, não perca seu tempo com estatística (e acho que nem o dele), neste caso ela não vai provar nada. Confie mais no seu trabalho e diga ao seu orientador que o que ele está querendo é uma perda de tempo.”
Toda a platéia riu. Dr. Júlio completou: não queiram tirar da estatística o que ela não pode dar. Quando o assunto está vinculado a seres humanos é necessário tomar muito cuidado. Muita coisa que vejo em trabalhos médico não tem sentido.
No meu primeiro dia de aula deste ano lancei uma moeda para cima e perguntei aos meus alunos qual era a probabilidade de dar cara ou coroa. Os que responderam falaram que era de 50%. Retruquei: Como é que vocês sabem? Temos quatro formas básicas de encarar as probabilidades, teoria que é base da estatística: 1. O método clássico (foi o fundamento da resposta deles, baseados em Pascal, Fermat, Laplace e outros). 2. O método frequencialista (von Mises). Jogo a moeda infinitas vezes e vejo a convergência. 3. Método intuitivo, método do “achismo”, utilizado com sucesso em sistemas especialistas. 4. Método Axiomático de Kolmogorov. Hoje considerado o ideal. È muito fácil, para um manipulador, escolher um método, um enfoque que leve a resposta para onde ele quiser.
O que tenho observado ao longo destes anos dando suporte a pesquisa na área médica é que é muito fácil manipular os dados, e sei por verificação própria e por leitura que os cientistas não são tão confiáveis, pois são tão humanos quanto nós. Já no início dos anos 70 houve um simpósio na Unesco sobre a responsabilidade social dos cientistas, colocando o dedo na ferida das pesquisas irresponsáveis. Durante décadas pesquisas estatísticas, muito bem elaboradas e fundamentadas comprovaram que o cigarro não ocasionava danos aos seres humanos. Sabemos dos desastres do “desfolhante laranja” no Vietnã, pesquisa patrocinada pelo exército americano, e dos múltiplos desastres provocados pela indústria farmacêutica. No ano passado fui indagado por uma jornalista da revista “Bons Fluidos”, sobre os efeitos da irradiação dos celulares nos seres humanos. Entrei em diversos sites para saber das últimas pesquisas, invariavelmente diziam que os celulares não faziam mal algum. Ora, fui professor durante 30 anos de Eletromagnetismo, e tenho mestrado em Engenharia Biomédica, fica difícil engolir essa notícia sabendo que quem tem marca-passo não deve usar celular, e que mesmo em pessoas sãs ele altera o Eletrocardiograma.
Como membro de um Comitê de Ética em Pesquisa na Área da Saúde tive conhecimento de práticas em pesquisas, mundiais, de arrepiar os cabelos de carecas. Devido a isso acho muito difícil alguém aceitar uma pesquisa estatística Astrológica feita por pessoas da área. O astrofísico português João Magueijo relata em seu livro “Mais rápido que a velocidade da Luz” a dificuldade de publicar suas conclusões em revistas conceituadas, porque ele contrariava a teoria da relatividade de Einstein. Seu livro relata inclusive uma crítica mordaz de Einstein a um astrofísico russo que comprovou, a partir das próprias equações de Einstein, que o universo era expansivo, e não constante, como pressupunha Einstein. Depois ele se desculpou, tinha cometido um erro de álgebra. O meio científico é um meio igual a qualquer um. Político, burocrático, detrator, invejoso, estelionatário e maledicente. Existem maravilhosas exceções, como em qualquer meio, mas não é fácil mudar os paradigmas existentes.
Já escrevi para a Dra. Elenir o seguinte:
“Sou professor de ”Estatística" e temo pelo tamanho do trabalho e da amostra, daquilo que você pretende. Gauquellin utilizou 35.000 mapas em seu estudo, se não me falha a memória, e ele era estatístico prático de carteirinha. Não me interessa essa trabalheira. Depois de levantar e analisar por volta de 3.000 mapas, nesta vida, confesso que estou mais do que satisfeito com os resultados das minhas leituras. Por outro lado você quer provar que a astrologia é uma ciência exata e, como já escrevi antes, estou convencido que ela não é. Faltam-me conhecimentos e argumentos científicos para provar que a astrologia é uma ciência, no sentido moderno do termo. Mas como disse Confúcio: "Um sábio não tem idéias", ou seja, não se fixa a nenhuma idéia.
Mas vá em frente. Se você conseguir provar ganhará a minha profunda admiração. Aplaudirei de pé. Os modelos antigos, paradigmas como disse Kuhn, estão aí para serem derrubados. Às vezes é necessário que a velha geração, como eu, morra, para que sejam feitas mudanças. A Programação Linear foi descoberta por um aluno que não sabia que um determinado problema era considerado sem solução.
Desejo muito boa sorte. Você é uma mulher de muita coragem e determinação. Gostei da sua postura!”
Elenir, você escreve agora:
“Mas, acho que podemos evoluir ainda mais... agora, entrando numa área que sempre relegou os estudos superiores a um plano de subalternidade, quase de ridicularização.”
Não posso aceitar este tipo de postura. Existem astrólogos matemáticos, astrofísicos, engenheiros, filósofos, médicos, advogados, etc. Astrólogos que não fariam feio aos antigos astrólogos como Morin, Regiomantono, Kepler e Newton. E estou falando só do Brasil. Pessoas de mais alto grau de cultura e sabedoria, mas, como em todas as áreas, compartilhando a Astrologia com ignorantes e despreparados. Como diziam antigamente: “Quem burro nasce, togado ou não, burro morre!” Também não creio que, como já fizeram Choisnard e Gauquellin, uma pesquisa vá mudar a aceitação da Astrologia no meio “científico”, os donos da verdade. Se duvidar, leia Paul Feyerabend que em seu livro “Diálogo Sobre o Método” comenta sobre um abaixo assinado contra a Astrologia que possuía a assinatura de uma plêiade de prêmios Nobel, que evidentemente não conheciam nada sobre a Astrologia. Como Feyerabend escreve: Imagine que são iletrados desta espécie que decidem o que se deve e o que não se deve ensinar nas nossas escolas; iletrados de tal espécie proclamam com arrogante desprezo que as velhas tradições, nunca estudadas nem compreendidas, devem ser erradicadas, independentemente da importância que revestem para todos aqueles que querem viver segundo seus cânones. O mesmo Feyerabend diz: Temos que separar a Ciência do Estado, tal como foi feito com a religião. (Meu Deus! E os fundamentalistas? Irão aceitar a Astrologia?).
A Astrologia tem de história conhecida, no ocidente, de mais de cinco mil anos. Qual outra forma de conhecimento permaneceu por tanto tempo? Como me informou um ex-adido cultural francês doutorando em escrita cuneiforme, aqui em São Paulo, o que os sumérios escreviam como suposição astrológica os hititas informavam como certeza. Qual conhecimento tem 2500 de registro de dados e confirmação de eventos? Essa forma mesquinha de se analisar o conhecimento a partir de medidas - só se conhece o que pode ser medido - é recente e duvido que perdure por mais cinqüenta anos. Os movimentos de estudos interdisciplinares e transdisciplinares, além da moderna visão da complexidade de Morin (Edgar Morin) dão sustentabilidade ao que digo.
Como disse antes para Dra. Elenir, e falo agora para todos, façam pesquisa, mas não contem com a aceitação pelo atual Establishment.
Parodiando Tom Cathcart e Daniel Klein, no preâmbulo do livro “Platão e um Ornitorrinco entram num bar...*”:
Estes são meus princípios, se não gostarem tenho outros.
Abraços a todos,
Rodrigo Araês




* e o barman olha para Platão com um olhar esquisito. O que posso fazer? Retruca Platão, dentro da caverna ela era muito mais engraçadinha.